Prefeito não cumpre com a palavra e “Lixão da Naturalle” começa a funcionar em Simões Filho

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Quem reside em Simões Filho e acompanha a luta dos movimentos voltados para a cultura ambientalista e contra a empresa de aterro sanitário Naturalle  parece está longe de ver o fim da guerra travada entre as partes.

O dilema do “Não ao Lixão” que para muitos parecia ter sido resolvido há cerca de um ano voltou a “assombrar” as comunidades do entorno do Vale do Itamboatá, às margens da BA 093, território simõesfilhense, onde a Naturalle deseja implantar o seu aterro sanitário.

Para entender a situação que permeia a implantação de um lixão em uma Área de Proteção Ambiental (APA) em Simões Filho é preciso voltar um pouco no passado, para lembrar como a empresa conduziu o seu processo de instalação na cidade.

Com um projeto grandioso, a Naturalle fracionou o empreendimento fazendo dois pedidos de licença ambiental, um no município para uma parte menor, que é o aterro de materiais da construção civil (inerte) e o outro que é o empreendimento do restante do aterro, na qual a licença ficou a cargo do órgão estadual (INEMA).

Em abril de 2018, após diversas reivindicações do movimento “Nossa Água, Nossa Gente” que é composto pelas comunidades quilombolas juntamente com a Fundação Terra Mirim, o INEMA negou a possibilidade de instalação da Naturalle, indeferindo a licença ambiental para a instalação do “lixão” naquele território, justamente por se tratar de uma área de proteção ambiental.

Na época, possivelmente embasado pelo intuito de apaziguar a ação do movimento ambientalista, o prefeito Diógenes Tolentino, bem como o secretário Municipal de Meio Ambiente, se comprometeram em acompanhar o entendimento técnico do estado, revendo a licença municipal para o aterro de inertes, que já havia sido concedida. Mas, na verdade, isso não aconteceu.

Com o posicionamento do chefe do Executivo, surgiu nas comunidades diretamente afetadas pelo “lixão” a esperança de que as autoridades  municipais haviam de fato entendido a importância do Vale do Itamboatá, não só para o município, mas para toda a Bahia. Contudo, mais uma vez o prefeito não honrou com sua palavra e a Naturalle está operando com o aterro de material da construção civil, apenas com a permissão concedida pela prefeitura.

Para quem reside no local, é devastador vivenciar o “jogo de interesses” que supera o valor inestimável que o Vale do Itamboatá tem, como uma das maiores fontes hídricas do estado e também como refúgio para dezenas de espécies ameaçadas de extinção.

“Nós vivemos e uma área que é responsável pelo manancial de águas que abastece 40% da região, além da biodiversidade gigantesca e muitas espécies  ameaçadas de extinção que estão aqui, nesse fragmento do Vale. É um território que as comunidades quilombolas junto com comunidades religiosas lutam para permanecer ecologicamente equilibrado, porque esse local é reconhecido como um santuário da mata atlântica tanto em termos de sagrado como de refúgio da vida silvestre”, declarou Dahvii, representante do movimento Nossa Água, Nossa Gente.

Para o vereador e líder da bancada de oposição, Sandro Moreira (PSL), embora a maioria dos parlamentares tenham se posicionado de maneira omissa à implantação do lixão, ele, na qualidade de legítimo representante do povo, não pode deixar de apoiar as comunidades afetadas pelo funcionamento desse aterro sanitário.

“Nós iremos lutar para a não instalação dessa empresa aqui na nossa cidade e com certeza combateremos inclusive o posicionamento do prefeito, que já tinha se comprometido em rever a licença e agora permitiu que eles se instalassem e já está em funcionamento a parte de inertes. Iremos até as últimas consequências para a não instalação ou o fechamento desta parte que já está funcionando”, revelou Sandro.

Ainda de acordo com o edil, um pedido será protocolado junto ao presidente da Câmara, Orlando de Amadeu para que a Casa Legislativa solicite à prefeitura todas as informações referentes ao aterro sanitário.

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  1. […] No último da 30 de abril, o vereador Sandro Moreira, líder da oposição na câmara municipal, publicou em seu blog postagem que tratou da questão. Leia aqui. […]

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